Você assinou alguma das petições no Change.org pedindo para a Sony recuar do fim dos discos do PlayStation? Essa aqui tem mais de 300 mil assinaturas. Mas, não adiantou em nada. Nesta sexta-feira (31), durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, a CFO da Sony, Lin Tao, foi questionada diretamente sobre a onda de protestos dos fãs contra o fim da fabricação de discos físicos, anunciado no mês passado para começar em janeiro de 2028. A resposta foi educada, mas direta: o plano segue de pé.
"Vamos seguir com cautela", diz a Sony
Questionada sobre a reação da comunidade gamer, que incluiu abaixo-assinados com mais de 300 mil assinaturas e uma enxurrada de críticas nas redes sociais, Lin Tao afirmou que a digitalização do conteúdo como um todo é o principal motivo por trás da decisão, e que esse movimento não é exclusivo do PlayStation. Segundo ela, a Sony passou bastante tempo avaliando o assunto antes de anunciar o fim dos discos, e a conclusão foi seguir em frente "com cautela", reconhecendo que as pessoas têm opiniões fortes sobre o tema.
A executiva também comentou que os jogos carregam memórias afetivas para boa parte do público, e que a empresa quer levar isso em conta ao pensar em como manter os jogadores engajados dentro do ecossistema digital que vem por aí. Na prática, isso não representa qualquer sinal de recuo, apenas o reconhecimento público de que a Sony está ciente do descontentamento.
A empresa diz que não sentiu o impacto
Perguntada se o barulho nas redes já afetou o negócio, Lin Tao respondeu que não, pelo menos por enquanto. Ela reforçou que boa parte da receita de conteúdo já vem do digital, então o fim dos discos não deve representar prejuízo relevante no curto prazo. Ainda assim, repetiu que a empresa está atenta ao apego dos jogadores à mídia física e precisa pensar em como lidar com esse sentimento no futuro.
Um dos pontos levantados durante a teleconferência foi o impacto na relação da Sony com lojistas físicos. A resposta foi que as publishers ainda vão poder distribuir caixas com um código digital dentro, mantendo presença nas prateleiras mesmo sem o disco propriamente dito. Não é a mesma experiência para quem coleciona jogos físicos, então a tendência é que esse formato tenha pouca relevância comercial.
Os números por trás da decisão
O relatório trimestral divulgado junto com a fala da CFO ajuda a entender por que a Sony se sente confortável em manter o plano. Até 30 de junho de 2026, o PS5 já soma 95,3 milhões de consoles enviados no total, sendo 1,6 milhão só no trimestre, uma queda de 0,9 milhão de unidades na comparação com o mesmo período de 2025, o que confirma a curva de queda nas vendas de hardware que já vínhamos acompanhando por aqui.
Do lado digital, a base de usuários ativos mensais da PSN chegou a 125 milhões, alta de 2 milhões na comparação anual. A Sony também informou 66,1 milhões de jogos vendidos entre PS5 e PS4 no período. A empresa ainda garantiu ter fornecimento suficiente de memória para sustentar o plano de vendas do PS5 e espera manter a lucratividade do hardware no ano fiscal de 2026 em patamar parecido com o de 2025.
O que isso pode significar no seu bolso
Aqui entra o ponto que mais preocupa quem já reclamou do fim dos discos: o preço. Reportagens que acompanharam lojas de jogos usados nos Estados Unidos apontam que o mercado de segunda mão hoje funciona como um freio natural nos preços do digital, já que o consumidor sempre pode optar por comprar ou vender um jogo físico usado. Sem discos novos entrando nesse ciclo a partir de 2028, esse tipo de concorrência tende a enfraquecer, o que pode dar à Sony e às publishers mais liberdade para definir o preço dos jogos sem tanta pressão externa.
Vale lembrar que a Sony já reajustou o preço do PS5 em abril deste ano, e outros fabricantes também estão subindo preços de consoles e memória.