Sim, No Man's Sky é um dos piores jogos da história!

Uma das maiores promessas da história dos games, que mais uma vez mostrou o quão difícil está confiar na indústria de jogos.

Por | @grasiel_grasel Games

Quando você lê ou assiste a história de alguma desenvolvedora independente, uma das primeiras coisas que você imagina é o quão difícil e gratificante deve ser criar o seu próprio game, acordar todos os dias e viver o sonho de ser reconhecido por uma revolução na indústria que mudaria os rumos do desenvolvimento de jogos em todos os sentidos. Você literalmente respira a sua ideia, tentando trazer o seu projeto cada vez mais próximo da realidade, mas então acaba descobrindo que o seu sonho é grande demais para a sua pequena equipe e, no fim das contas, você foi apenas mais um que sonhou além do que poderia alcançar.

Por mais filosófico que possa parecer o primeiro parágrafo deste artigo, essa é a triste realidade de boa parte das desenvolvedoras “indie” do mercado mundial de jogos eletrônicos, equipes pequenas que tentam criar uma revolução no que conhecemos, mas que não possuem apoio financeiro e muito menos equipe para cumprir com todos os seus objetivos. Comprar jogos em pré-venda ou apoiar o crowdfunding de um desenvolvedor é sempre sinônimo de incerteza se o seu dinheiro está sendo bem gasto, infelizmente.

Já vimos exemplos como The Forest, um jogo que está em modo de “Acesso Antecipado” via Greenlight da Steam desde 2013, e que até hoje não recebeu uma versão final, com todos os bugs corrigidos e recursos prometidos implementados, e parece que No Man’s Sky é o caso de um indie de sucesso, que é basicamente um fracasso.

A ascensão de um fracasso

Quando visto na E3 pela primeira vez, o jogo tornou-se quase que automaticamente uma tendência mundial, com canais de televisão entrevistando Sean Murray, criador do game, milhares de portais de tecnologias comentando as possíveis tecnologias que envolveriam o funcionamento do game e também o quão interessante seria sua jogabilidade, no entanto, o resultado foi extremamente abaixo do esperado.

Nos primeiros momentos do trailer apresentado pela primeira vez na Eletronic Entertainment Expo (E3) 2014, vemos um aspecto que já é relativamente comum em alguns jogos sandbox, a reação de NPCs (no caso, criaturas vivas dos planetas) ao verem um predador se aproximando. Em No Man’s Sky, isso simplesmente não existe. Em seguida, vemos uma espécie de batalha estelar entre várias naves amigas e inimigas, o que nos cria o palpite que seria possível se unir a algum tipo de facção ou criar amizades no game. Em No Man’s Sky, isso simplesmente não existe.

Tem multiplayer, mas você nunca verá outro jogador. (?)

A proposta principal dos desenvolvedores era que o universo do game fosse tão grande e tão infinito, que encontrar outro jogador seria algo praticamente impossível, afinal, a medida com que jogadores avançam, mais planetas vão sendo gerados pelo algoritmo do game, no entanto, aí existe um grande problema, não é difícil encontrar o mesmo planeta que outra pessoa está visitando, tanto que no primeiro dia do lançamento isso já foi possível, porém, é impossível ver outros jogadores como Sean Murrey mente em várias entrevistas.

A mentira sobre a vida em No Man’s Sky

Outras promessas não cumpridas pela Hello Games são as histórias de que cada planeta teria fauna e flora únicos de um ecossistema somente dele, assim como haveriam diferenças na gravidade de cada planeta e mudanças climáticas características de seus próprios locais, no entanto, absolutamente nenhuma delas foram cumpridas. Não é difícil transitar entre planetas e ver terrenos, criaturas e plantas extremamente parecidos ou simplesmente idênticos e, claro, nem ao menos existe clima em No Man’s Sky, ou você está em uma área que é fria, ou não está, mudanças são inexistentes.

Visitar novos planetas é sempre uma diversão, você vai passar um certo tempo dando boas risadas das criaturas mais bizarras já vistas em jogos, e não pense que isso é uma coisa boa, pois, uma hora ou outra, você vai passar a considerar as diferentes formas de vida como algo tão impossível em qualquer realidade, que isto chega a se tornar algo chato

NPC’s teriam vidas próprias e sociedades existiriam

Outro aspecto que quase explodiu a cabeça dos nerds nos trailers foi a evidência clara de que a vida em No Man’s Sky iria muito além das criaturas bizarras geradas por seu algoritmo, existiriam sociedades vivendo em planetas, tendo suas próprias vidas e gerando uma economia interestelar, com naves cargueiras levando e trazendo suprimentos, guerras estelares nas quais você poderia tomar partido, dentre outros aspectos que poderiam caracterizar de fato a existência de alguma vida inteligente, no entanto, não existe um jogador que tenha visto algo do tipo.

Sim, No Man's Sky é um dos piores jogos da história!
Uma das naves cargeiras mostradas em trailers

O pior final de toda a história dos jogos eletrônicos?

Para quem ainda não sabia, sim, No Man’s Sky tem um “final”, que é, basicamente, encontrar o centro da galáxia. Uau, muito interessante, não é mesmo? O que será que existe no centro da galáxia? Absolutamente nada, você é apenas transportado para outro planeta, como se o jogo tivesse recomeçado novamente. Exatamente, o “zeramento” do game é continuar jogando.

O pior de receber um zeramento "broxante" destes não é a falta de criatividade ou comprometimento com o jogador, mas sim a imensa decepção gerada, pois a comunidade criou um incontável número de teorias sobre o que aconteceria quando o único objetivo do jogo fosse completado, só para descobrir que não existe nada além de um recomeço da sua jogatina. Uma das teorias mais comentadas é a de que haveria uma espécie de terra completamente destruída, mas é claro que isso não é verdade.

Por que não adiar o lançamento?

Um recurso bastante comum na indústria de jogos eletrônicos atualmente é o adiamento do lançamento. Vários jogos, como The Witcher 3: Wild Hunt, Dying Light, Uncharted 4, Quantum Break e muitos outros, tiveram a sua data de lançamento adiada para que o desenvolvimento do game fosse concluído com tranquilidade e que o menor número possível de problemas fosse corrigido, no entanto, a Hello Games decidiu simplesmente lançar o jogo sem que ele tivesse a grande maioria dos recursos prometidos, incluindo o multiplayer, que até mesmo tem um sistema de lobbies, mas que jamais serviu para algo.

Sim, No Man's Sky é um dos piores jogos da história!
Anunciado em 2009, The Last Guardian vem sendo adiado até hoje

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É muito provável que você pense que isto talvez tenha sido uma exigência da Sony, Publisher do game, no entanto, não se engane amigo, a própria empresa já adiou títulos do PlayStation 4, o que nos leva a crer que tanto desenvolvedora quando Publisher tinham a certeza de que não havia nada mais a ser feito por No Man’s Sky, e a grande revolução no que conhecemos por jogatina jamais deixaria de ser um sonho.

Mas, No Man’s Sky é mesmo um jogo "ruim"?

Depois de ler este artigo você provavelmente tem No Man’s Sky como um jogo ruim, não é mesmo? Seria um crime deixar de reconhecer a tentativa dos desenvolvedores em criar um bom jogo, com características interessantes e mecânicas inteligentes, no entanto, ele não passa disso, tentativas e mais tentativas de diversificar e divertir, mas que com o tempo acabam virando mesmice e tédio.

Embora a proposta do jogo ainda seja interessante, com um visual bonito e mecânicas de gameplay inteligentes, é preciso muito esforço para não fechar o game logo nas primeiras horas de jogatina (isso se ele não fechar sozinho com os crashes constantes), afinal, uma das coisas que você mais faz no game é andar, servindo quase como uma punição por você ter se empolgado com o cenário e ter se distanciado demais da sua nave. Caso você não se importe em perder tempo andando no meio do nada ou revendo ambientes que já viu em outros planetas, talvez você consiga juntar mais de 10 horas de gameplay em No Man’s Sky.

Quando digo que o jogo é um dos piores da história, não quero dizer exatamente que ele é mal feito, para falar a verdade, no que foi entregue, tudo funciona relativamente bem, o verdadeiro problema é a moral que o game deixou para mercado, a decepção dos compradores e sua raiva pelas mentiras de Sean Murray e a Hello Games.

A sugestão que fica é que o mercado, assim como seus consumidores, tome No Man’s Sky como um exemplo, para que nunca mais sejam vendidos jogos que não podem entregar o que prometem, e muito menos que acreditemos em trailers sem termos a possibilidade de conhecermos o game melhor, colaborando para o fim dessa maldita cultura da pré-venda que prejudica tanto os desenvolvedores quanto nós compradores.

Mais sobre: nomanssky games critica
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