O Brasil está ficando para trás quando o assunto é a implantação total da telefonia IP (por protocolo de Internet). A conclusão é da consultoria IDC Brasil, que avaliou a tendência no restante do mundo – onde a maioria das grandes empresas migraram seus sistemas do PABX TDM para o digital e, agora, para o IP. Enquanto isso, no Brasil utiliza-se uma tecnologia intermediária, o IP Enabled.
“O PABX IP Enabled tem suas vantagens, pois além de reduzir custos de telefonia é um sistema mais barato e fácil de implementar”, observa o analista de telecom da IDC Brasil, Vinícius Caetano. “Mas é fato que esse desvio de caminho torna o processo de migração para o IP puro mais lento e mais custoso, e impede que as empresas brasileiras desfrutem dos benefícios das comunicações unificadas”, diz.
O alto custo de instalação do terminal, em média de US$ 200, é listado como o impedimento à mudança nos sistemas. Outro fator é que o IP Enabled atende às necessidades das empresas, que apenas querem reduzir os custos. A tecnologia é comum no Brasil, onde há fabricantes voltados para esse mercado. O IDC Brasil diz que no México, por exemplo, onde não há fabricantes desse tipo, a migração foi diretamente do padrão TDM para o IP – sem intermediários.
O IDC diz que existem 800 mil ramais IP no Brasil, atualmente. Enquanto isso, a quantidade de ramais TDM é dezenas de vezes maior, o que torna o País um dos mais atrasados da América Latina. “Mas, a tendência, num prazo mais longo, é que as empresas brasileiras percebam que para se manter competitivas terão que se render ao valor do IP, aliando a redução das contas telefônicas com a produtividade e a colaboração propiciadas pelas comunicações unificadas”, conclui Caetano.


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