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Open XML: Microsoft vence a batalha. Mas a guerra continua

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Data: 21/05/2008  |  Visualizações: 610  |  0 Comentário(s)  |  Via: ITWeb

Em setembro de 2007, a Microsoft encaminhou uma proposta para um padrão de interoperabilidade entre documentos corporativos, o Office Open XML, para o ISO/IEC JTC1 (1º Comitê Conjunto de Tecnologia relativo a ISO/IEC). O OOXML foi projetado para substituir o amplamente utilizado OASIS Open Document Format (Formato de Documento Aberto OASIS). Uma faceta importante da proposta de Redmond é atribuir o controle da manutenção de padrões à organização ECMA International, uma iniciativa criada pela Microsoft na tentativa de diminuir as preocupações causadas em relação a documentos abertos, como se fosse possível voltar no tempo.

Um problema é que a Microsoft tentou ampliar a definição de "manutenção", a fim de incluir revisões de versões - por exemplo, a criação do OOXML 2.0, 3.0, e assim por diante. Quando a Microsoft tem condições de definir quem pode manter o OOXML e, o mais importante, especificar exatamente como o padrão pode ser mantido, ela efetivamente cria um formato proprietário. Isso não passou despercebido pelo ISO/IEC JTC1. A proposta encaminhada em setembro passado não foi aprovada na primeira avaliação e foi devolvida para a Microsoft com cerca de 3.500 aspectos a serem resolvidos, incluindo a substituição da Vector Markup Language, que é proprietária, pelo DrawingML.

Em 15 de janeiro de 2008, a Microsoft encaminhou ao JTC1 uma nova proposta, afirmando que ela estava confiante de que havia solucionado adequadamente todas as questões que o Comitê havia detectado em relação ao OOXML original. A reunião para a resolução sobre o OOXML foi realizada em Genebra, no final de fevereiro deste ano; aqueles que haviam votado para a resolução em setembro podiam reconsiderar suas posições, com base na nova proposta. Para que fosse aprovado, o padrão precisava obter 66,66% dos votos dos membros de 104 países. No dia 2 de abril, a ECMA anunciou que 75% dos membros tinham votado a favor do OOXML. Um total de 14% votou contra e 11% se abstiveram de votar.

Contudo, existem obstáculos. A União Européia (UE) está investigando os métodos que a Microsoft utilizou para conseguir apoio, e alguns países, incluindo a Noruega, estão questionando o resultado da votação. Algumas importantes preocupações técnicas permanecem, incluindo dúvidas não resolvidas sobre os padrões de manutenção da Microsoft. E a indústria continua dividida em relação ao padrão de ODF (Open Document Format, ou Formato de Documento Aberto), que é aprovado pela OpenDoc Society e utilizado nos produtos: OpenOffice, KOffice, Google Docs, IBM Lotus Symphony, e outras suítes de produtividade. Os plug-ins do ODF foram criados para o Microsoft Word, Excel e PowerPoint, e o padrão é totalmente adequado ao ISO/IEC.

Sem se intimidar, a Microsoft continua seguindo a "todo vapor" com o OOXML, afirmando que as especificações superam o ODF em termos de maior transparência dos documentos e da interoperabilidade entre plataformas, de menores tamanhos de arquivos, menor possibilidade de que um documento seja corrompido, maior compatibilidade e mais facilidade de integração com os pacotes que ainda existem no Office. "A especificação do Open XML proporciona funcionalidade e flexibilidade muito maiores do que as dos outros formatos, além de uma documentação mais abrangente", garante o porta-voz da Microsoft.

Os argumentos da Microsoft têm como base dois aspectos principais: o fato de que o OOXML oferece novos recursos e de que ele pode coexistir com o ODF. Mas a grande questão é: Será que quando existem tantos padrões, na verdade não existe padrão nenhum, mas apenas plataformas completamente diferentes e concorrentes, que prejudicam a interoperabilidade entre documentos?

 

Efeito retroativo

Os representantes da Microsoft com quem falamos declararam que o OOXML foi projetado para proporcionar compatibilidade retroativa e, desse modo, pode aprimorar a preservação de documentos, e que ele é compatível com diversas linguagens e culturas, além de aceitar tecnologias que possibilitam que as pessoas com problemas físicos utilizem dispositivos de computação. E também, a nova especificação permite que dados de outros sistemas, tais como registros referentes a organizações financeiras ou de assistência médica, sejam facilmente incorporados aos documentos e atualizados em tempo real; um recurso que o ODF não tem.

Naturalmente, nem todo mundo está se preparando para uma ferramenta de conversão do ODF para o OOXML. Em particular, a Google, uma usuária intensiva do ODF em seus aplicativos Google Docs Web, adotou uma posição decididamente negativa sobre esse assunto. "Acreditamos que o OOXML será um padrão insuficiente e desnecessário", observa Zaheda Borat, gerente de programas de código-aberto, na Google. "Respeitosamente, solicitamos que as organizações internacionais dedicadas a padrões votassem ‘não' ao OOXML, como um padrão proposto".

O argumento de Borat é de que se o ODF não apresenta problemas, por que substitui-lo?

A Microsoft contra-argumenta, dizendo que diversos padrões de formatos podem coexistir e já coexistem, mencionando formatos de imagem, como JPEG e TIFF, e formatos de vídeo digital, como MPEG-2 e H.264. Ou seja, na opinião da Microsoft, pelo menos, isso prova que o ambiente de computação também pode aceitar múltiplos formatos de documentos corporativos, e que todos eles podem ser tanto complementares quanto concorrentes.

No entanto, os fabricantes de suítes de produtividade, que são seus concorrentes, podem ser perdoados por denunciarem a tradicional estratégia da Microsoft, que consiste em "incluir, ampliar, exterminar".

A questão é: em vista da nova abertura que, aparentemente, podemos perceber recentemente e da declaração feita pela Microsoft quanto à compatibilidade de ambos os padrões, será que a TI pretenderia armazenar seu mais precioso patrimônio - os dados corporativos - no OOXML?

A Microsoft diz que sim, mencionando seu irrevogável compromisso de manter a patente livre de royalties para todos aqueles que implantarem o OOXML, uma condição que tanto a ECMA quanto o ISO/IEC afirmam satisfazer as exigências mínimas referentes a licenciamento. Qualquer entidade poderá implementar gratuitamente o OOXML, e, na verdade, Apple, Corel, IBM, Novell, Sun, e outras companhias, já adotaram (ou anunciaram a adoção) a especificação em diversas plataformas, incluindo: Java, Linux, Mac OS e Palm OS. Até mesmo a Google apóia o OOXML, e a Microsoft está patrocinando um tradutor de código-aberto que está disponível gratuitamente e que permite a interoperabilidade entre o OOXML e o ODF.

Essa é a principal frase que estamos observando: "Permite interoperabilidade". Apesar do renovado interesse no OpenOffice, a Microsoft ainda é a "maioral do pedaço", e as suítes para escritórios mais amplamente utilizadas, o Office para Mac OS e o Windows, já aderem ao OOXML. Claramente, a Microsoft tem as ferramentas e a influência da indústria, que são necessárias para que ela tenha sucesso com o OOXML. Por fim, pode ser que se descubra que é o ODF que precisa se mostrar compatível.

 


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