Com a implantação das redes 3G no Brasil, que deve movimentar entre R$ 3 e R$ 5 bilhões somente em 2008, os usuários de telefonia móvel poderão contar com uma grande variedade de serviços que dependem de maior velocidade de acesso, videoconferência por celular, acesso à Internet e à televisão, entre outros.
O interesse da população por esses novos aplicativos é um dos temas abordados no estudo “GTI Telecoms”, realizado em novembro de 2007 pela TNS, empresa do segmento de pesquisas de TI/Telecom e apresentado hoje (26), pela TNS InterScience. O levantamento foi realizado no Brasil e em mais 29 países e reuniu 16 mil entrevistas de pessoas com 16 a 60 anos.
O boom da música pelo celular
O estudo identificou que 43% dos usuários utilizam o celular para alguma aplicação relacionada à música: ouvir rádio, MP3 player, baixar ou compartilhar músicas. Na América Latina, esse percentual é menor (29%), mas a expectativa é de crescimento nos próximos anos. No Brasil, o uso do celular como MP3 player quintuplicou de 2006 para 2007.
"A implantação da rede celular de terceira geração aumentará substancialmente o potencial de crescimento, na região, de downloads e sideloads (compartilhamento de música entre usuários)", acredita Renato Trindade, diretor de TI e Telecom da TNS InterScience e responsável pela pesquisa no Brasil.
Em mercados onde a rede 3G já está em funcionamento, a utilização de aplicativos de música ultrapassa 70%, a exemplo da Coréia, onde o sistema foi lançado há dois anos. “A mobilidade para ouvir música se popularizou desde os tempos do walkman, então não existem barreiras de uso para a adoção de aplicativos de música pelo celular”, ressalta Trindade. Esses aplicativos, segundo o executivo, são populares em todos os grupos de entrevistados. Ele conta que cada usuário passa, em média, sete horas por semana ouvindo música.
A pesquisa detectou, ainda, que o download é superado pelo sideload, uma vez que 22% dos usuários utilizam o celular para transferir música para amigos ou para o PC, enquanto que apenas 16% fazem downloads na rede. Essa constatação traz um desafio a mais para as operadoras, fabricantes e empresas de entretenimento. “Elas terão que investir em conteúdo local para gerar receita com o serviço de download”, avisa Trindade.
SMS e e-mail com os dias contados
A rede 3G permite que outro serviço popular na web, as mensagens instantâneas, sejam acessadas pelo celular. No mundo, esse serviço já conquistou 8% dos usuários, percentual próximo ao da América Latina (7%). O destaque, nesse caso, é para o potencial de crescimento desse serviço, já que, segundo o estudo, 31% dos latinos declararam interesse em utilizar o sistema de mensagens instantâneas pelo celular.
“Constatamos que os usuários de mensagens instantâneas pelo celular utilizam menos outras formas de mensagens como SMS e e-mails via PC, um forte indicador de que as mensagens instantâneas irão ‘canibalizar’ outras formas de comunicação por meio de texto”, antecipa Trindade.
A pesquisa analisou, ainda, o comportamento de um segmento importante da população, os future shapers, pessoas que influenciam a tendência futura de aquisição e uso de produtos e serviços. Para este grupo, as mensagens precisam ser instantâneas ou multimídia.
Além da existência de oportunidades para outras formas de mensagem, o levantamento constatou também que a facilidade para enviar mensagens tem se tornado um importante critério na escolha do modelo do celular.
GPS: baixo uso no presente, alto potencial futuro
Outro serviço que será potencializado pela rede banda larga móvel é a localização e navegação via celular. Essa facilidade tem, por enquanto, poucos adeptos — apenas 5% da população mundial utilizam GPS no celular. A maior barreira para a sua disseminação, na avaliação de Trindade, é o fato de o recurso ainda não estar disponíveis nos aparelhos móveis.
Entretanto, o potencial de crescimento do GPS é grande. Entre os future shapers esse é um dos itens mais desejados no celular, ficando à frente do Mobile TV, MP3 e do acesso à Internet.
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